quinta-feira, 24 de julho de 2014

uma homenagem a Ariano Suassuna e Rubem Alves

"A massificação procura baixar a qualidade artística para a altura do gosto médio. Em arte, o gosto médio é mais prejudicial do que o mau gosto... Nunca vi um gênio com gosto médio."
Ariano Suassuna

"Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.

Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.

Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado".
Rubem Alves

Mídia e integração ou alienação?

Televisão
A televisão me deixou burro muito burro demais
Agora todas as coisas que eu penso me parecem iguais
O sorvete me deixou gripado pelo resto da vida
E agora toda noite quando eu deito é "boa noite, querida”.
Ô Cride, fala pra mãe!
Que eu nunca li num livro que o espirro fosse um vírus sem cura
E vê se me entende pelo menos uma vez, criatura!
Ô Cride, fala pra mãe a mãe diz pra eu fazer alguma coisa mas eu não faço nada
A luz do sol me incomoda então deixa a cortina fechada
É que a televisão me deixou burro, muito burro demais
E agora eu vivo dentro dessa jaula junto dos animais.
Ô Cride, fala pra mãe que tudo que a antena captar meu coração captura
E vê se me entende pelo menos uma vez, criatura!
Ô Cride, fala pra mãe.
Titãs. Álbum: Televisão (1985)

As mídias de massa podem constituir-se como um empecilho ou um adjuvante para a formação humana? Deixe ai sua opinião.

consumismo: juventude e violência simbólica.

“[A] transformação do adolescente em fatia privilegiada do mercado consumidor inaugurada nos Estados Unidos, e rapidamente difundida no mundo capitalista, trouxe alguns benefícios e novas contradições. Por um lado, a associação entre juventude e consumo favoreceu o florescimento de uma cultura adolescente altamente hedonista. O adolescente das últimas décadas do século XX deixou de ser a criança grande, desajeitada e inibida, de pele ruim e hábitos anti-sociais, para se transformar no modelo de beleza, liberdade e sensualidade para todas as outras faixas etárias. O adolescente pós-moderno desfruta de todas as liberdades da vida adulta, mas é poupado de quase todas as responsabilidades.
Parece que, ao escrever isso, estou limitando o foco dessa análise aos adolescentes da elite, os únicos que, de fato, podem consumir e desfrutar da condição de jovens adultos cujos desejos e caprichos são sustentados pelos pais. Não é bem assim. Na sociedade pautada pela indústria cultural, as identificações se constituem através das imagens industrializadas. Poucos são aqueles capazes de consumir todos os produtos que são oferecidos ao adolescente contemporâneo — mas a imagem do adolescente consumidor, difundida pela publicidade e pela televisão, oferece-se à identificação de todas as classes sociais. Assim, a cultura da sensualidade adolescente, da busca de prazeres e novas “sensações”, do desfrute do corpo, da liberdade, inclui todos os adolescentes. Do “filhinho de papai” ao morador de rua, do jovem subempregado que vive na favela ao estudante universitário do Morumbi (ou do Leblon), do traficante à “patricinha”, todos os adolescentes se identificam com o ideal publicitário do adolescente hedonista, belo, livre, sensual. O que favorece, evidentemente, um aumento exponencial da violência entre os que se sentem incluídos pela via da imagem, mas excluídos das possibilidades de consumo.”

(Maria Rita Kehl, fragmento de A juventude como sintoma de cultura).

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Mídia-Educação: Como educar para a sociedade da informação?

As mídias fazem parte de nossa cultura atual. É quase impossível viver sem ser influenciado por elas em algum momento da vida. No entanto é preciso atenção no que se refere as  crianças e jovens sejam educados para tal sociedade midiática. Nas palavras de Belloni e BÉVORT: “Para que a sociedade da informação seja uma sociedade plural, inclusiva e participativa, hoje, mais do que nunca, é necessário oferecer a todos os cidadãos, principalmente aos jovens, as competências para saber compreender a informação, ter o distanciamento necessário à análise crítica, utilizar e produzir informações e todo tipo de mensagens”.

Pensamos que já é consenso que a escola precisa cumprir esse papel social, a grande questão agora é: COMO? Poderia nos dar pistas ai nos comentários? Você educador tem experiências a compartilhar?
Para provocar trazemos uma tirinha do Calvin, sempre inspirador

Sociedade sem escolas? Seria a aprendizagem colaborativa o início dela?

Talvez a negação da escola como é hoje possa nos ajudar a repensar sobre como podemos agir na modificação de espaço-tempo.

Aprendizagem colaborativa? Redes de aprendizagem? Vamos discutir?

Você já sabe, mas não custa lembrar: Os processos de comunicação em rede realizados através da Web afirmam-se, cada vez mais, como o suporte para a formação das novas comunidades de partilha de informação, com particular relevância para o domínio do desenvolvimento das aprendizagens. É através das práticas de interação e colaboração que decorrem no seio destes agrupamentos, que a aprendizagem resulta num processo dinâmico de envolvimento, partilha e construção conjunta do novo conhecimento realizado pelos membros da comunidade (DIAS, 2001).
Os processos e estratégias colaborativas integram uma abordagem educacional na qual os alunos são encorajados a trabalhar em conjunto no desenvolvimento e construção do conhecimento. A aprendizagem em grupo ou colaborativa é baseada num modelo centrado no aluno, promovendo a sua participação dinâmica nas atividades e na definição dos objetivos comuns do grupo.



O interessante aqui é que o que liga as pessoas é o CONHECIMENTO, a comunidade é formada por interesses e o ato de partilha mútuo é exercitado o tempo inteiro, é a transição do individual  para o coletivo compartilhado.
Todos conhecem a WIKIPÉDIA, que é o mais popular espaço de construção colaborativa em rede, muitíssimo criticado inclusive pelo fato de não termos controle sobre a procedência das informações. Daí nosso exercício de filtrar essas informações, o exercício reflexivo e crítico é indispensável então.
O esquema abaixo foi retirado de uma atividade de estudo a distancia que objetivava a construção coletiva de mapas, veja como seria esse processo:






Fonte: http://labspace.open.ac.uk/mod/resource/view.php?id=279829

Referência:
Dias, Paulo. Comunidades de Conhecimento e Aprendizagem Colaborativa. Comunicação apresentada no Seminário Redes de Aprendizagem, Redes de Conhecimento, Conselho Nacional de Educação, Lisboa, 22 e 23 de Julho de 2001.  

quinta-feira, 10 de julho de 2014


Diálogo sobre o texto “As relações entre objeto técnico, mediação e ensino refletido da técnica em Simondon" e o filme "Blinky TM".
Fácil será constatar que a tecnologia, enquanto tema privilegiado para a reflexão sobre o modo contemporâneo de ser, não se limita ao âmbito de abrangência dos objetos tecnológicos que tornam nossa vida mais cômoda. Se este plano, o da presença dos objetos tecnológicos no nosso quotidiano, é o mais visível, com o qual mantemos maior proximidade, dada justamente pelas facilitações que ele proporciona [...] (Weber, 2012)
Partindo das ideias sobre o texto e também o impacto que o filme causou, pode-se compreender que a relação homem/tecnologia não é uma dicotomia, pois segundo o texto não há mais essa dualidade, a tecnologia é, portanto, “mediadora na relação homem e a natureza” (Weber, p.6).  O autor também ressalta a importância dessas novas tecnologias estarem dentro da escola com uma efetiva funcionalidade, pois de nada adiantaria essa tecnologia como um simples objeto sem uso.
E o modo como, via de regra, é concebido o computador na escola, a saber, como um objeto usado para resolver um problema, ou um objeto que, ao agenciar processos de cognição, auxilia, facilita o processo de conhecimento, revela que talvez ainda não saibamos posicionar adequadamente os objetos tecnológicos no plano das realizações humanas. (Weber, p. 3)
O autor chama a atenção para aulas mais dinâmicas, com a substituição dos materiais comumente usados pelo professor e até mesmo o “discurso monótono” dos docentes, porém ele ressalta que o professor é importante para que essa dinâmica ocorra e o computador será apenas um mediador dessa relação entre aluno/professor e esse conhecimento já existente.
Além disso, ele afirma que a tecnologia tem vindo provocar uma enorme mudança na educação, originando novos modos de difusão do conhecimento, de aprendizagem, e, particularmente, novas relações entre professores e alunos, portanto ele ainda relata que o simples fato de ter um mero computador como objeto de mediação entre homem e mundo não há uma segurança que se tenha uma “real extensão do que seja essa tecnologia” (p. 3).
Weber referencia-se em Simondom quando explica sobre essa relação, pois para o autor referenciado, não é apenas a presença dessa tecnologia nas escolas que irá fazer com que essa relação entre homem e natureza siga de forma “natural” e sim o sentido que esse objeto de mediação terá nessa relação, porque para Simondom esse objeto é parte da cultura existente e da própria realidade humana e esse sentido se dá de forma dialética entre o sujeito e o objeto, construindo assim, um sentido para essa relação. E para maior entendimento sobre o assunto segue o link do texto estudado. VALE A PENA DA UMA LIDA!!!

BOM ESTUDO 

http://www.ucs.br/etc/conferencias/index.php/anpedsul/9anpedsul/paper/viewFile/496/861



quinta-feira, 26 de junho de 2014

Novas maneiras de pensar e de conviver estão sendo elaboradas no mundo das 
telecomunicações e da informática. As relações entre os homens, o trabalho, a 
 própria inteligência dependem, na verdade, da metamorfose incessante de 
dispositivos informacionais de todos os tipos. Pierre Lévy (2010)